terça-feira, 16 de novembro de 2010

Justiça no esporte e a vitória da Ética absoluta


No artigo "A ética, os fins e os meios", eu citei o episódio da Fórmula-1 em que o piloto brasileiro Felipe Massa foi obrigado a deixar seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, ultrapassa-lo, esta ordem veio de forma indireta e infantil da Ferrari, equipe dos 2 corredores. O motivo é que o piloto espanhol teria mais chances de ser campeão do mundo.

Na epoca eu critiquei o jogo de equipes, pois Alonso estava muitos pontos atrás de Lewis Hamilton, da Maclaren, então líder do campeonato. Afirmei não ser fundamentalista da ética, entendo que sendo a ultima corrida do ano e o "jogo de equipe" for a única forma de fazer o campeão mundial de pilotos, seria a medida mais sensata a ser feita, mas não a admitia em situações onde não tenha necessidade ou seja inútil.

Pois bem, o fato é que Alonso, em função do episódio e de erros de outros pilotos ou suas equipes, chegou no final do campeonato como líder absoluto e favoritíssimo ao titulo. Sua vantagem, faltando 2 provas pra terminar o campeonato, era de 11 pontos pra Mark Webber e 25 pontos pra Sebastian Vettel, ambos da equipe Red Bull Racing. Minha indignação era que, uma atitude antidesportiva num momento aparentemente irrelevante do campeonato iria dar a vitória ao piloto da Ferrari e premiar a desonestidade.

Então pensei: "Agora cabe o jogo de equipe, a Red Bull deve dar preferência ao Webber em detrimento de Vettel, e evitar que a atitude da Ferrari seja vitoriosa". Pra minha surpresa, Dieter Mateschitz, dono da RBR, proíbe o "jogo de equipe" e afirma que o resultado será feito na pista, quem for melhor que ganhe. Eu e outros fãs de automobilismo que torcíamos contra a Ferrari chamamos a equipe de "Red Burra", afinal se havia algum momento em que o "jogo de equipe" se justificasse, era aquele, reta final do campeonato com Webber tendo muito mais chances de desbancar Alonso do que Vettel. Dito e feito, no penúltimo GP, em Interlagos, Vettel chega em primeiro com Vebber em segundo, sem nenhuma ordem pra mandarem trocarem suas posições durante a corrida. Como Alonso chegou em terceiro, suas chances de ser campeão prosseguiram imensas, bastaria um terceiro lugar no GP Abu Dhabi, ultimo do ano, isso se Webber ganhasse, se fosse Vettel o vencedor, bastaria ao espanhol chegar em quinto. Fatura liquidada era o que muitos, eu incluso, achávamos.

E não é que Vettel vence a corrida e Alonso chega em sétimo?! E isso devido a um acidente que manda o safety car pra pista logo na primeira volta, alterando as estratégias de paradas das equipes, propiciando ao piloto russo, Vitaly Petrov, da Reanult(ironicamente a mesma equipe em que Alonso esteve envolvido num dos maiores escândalos da F-1) parasse antes e ficasse a frente de Alonso quando este finalmente fizesse sua parada, e ficou em sua frente até o final da corrida, sem que ninguém pudesse "mandar passar".

Webber ficou em oitavo. Tivesse a RBR feito o "jogo de equipe" na corrida anterior, mandando Vettel deixa-lo passar pra ficar em primeiro, e Alonso teria sido campeão mundial este ano.

Parabéns ao piloto alemão Sebastian Vettel, o campeão mais jovem da história, com 23 anos, 4 meses e 11 dias.

E parabéns a Red Bull Racing, que fez o campeão do mundo sem ferir a ética, aliás, fez o campeão justamente porque se manteve íntegra até o fim.

E este escriba humildemente admite rever conceitos. Não tenho o hábito de citar amigos neste blog, mas Arthur Golgo Lucas, que acompanha o blog e disse, na época que fiz meu artigo, que a ética no esporte deve ser absoluta e imperiosa. E ele tinha razão, tinha e tem.

Quebrando outro protocolo do blog, posto neste artigo também uma foto, a foto do campeão entre os ultimos 2 campeões mundiais, Hamilton e Jason Button, que curiosamente completaram o pódium nesta corrida. Seu título merece esta homenagem, é o título que simboliza a vitória da ética absoluta, da justiça inquestionável, é a prova que se pode conseguir sem ser anti-desportivo, aliás, só foi campeão pelo espírito ultra desportivo de sua equipe.

Salve!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Monstro

Sei que o assunto ta meio velho(hoje em dia qualquer coisa com mais de 1 semana é velho), mas não posso deixar de falar sobre a ultima(ainda) polêmica que o garoto Neymar, jogador do Santos, se envolveu.
Sabemos que o guri não é fácil, é genio e genioso ao mesmo tempo. Mas vejam esta estória.
Neymar fora cortado da seleção brasileira, não por sua capacidade como jogador, e sim por indisciplina. Tão logo voltou a ser convocado, se envolveu em outra briga. Choveu críticas ao rapaz, muitos dizendo que se tratava de um louco, um delinquente, um monstro. O que essa turba nem sequer se prestou a fazer foi saber o porque Neymar brigou.
Num treino do Santos, um jogador que fazia aniversário fora amarrado na trave e estava sendo espancado por outro. Neymar se irritou e, do alto de seus 1,73 de altura e 60 kilos, o garoto de 18 anos enfrentou quem batia no colega, um cara de 28 anos, 1,86 de altura e 86 kilos. Por pouco não apanhou.
Mas bastou pra que a turba de linchadores fizesse o "banquete", massacrando impiedosamente o rapaz, e ainda por cima tendo contra ele uma imprensa sensacionalista, que estampou nas manchetes "Neymar se envolve em confusão de novo".
Sartre diria que "o inferno são os outros". Eu concordo com ele.
Tudo o que tenho a dizer é que Neymar não deve se incomodar com os que se importam tanto com ele, afinal ele se importou com alguém de forma magistral.

sábado, 30 de outubro de 2010

Sociedade machista: cultura ou comodismo?

As sociedades humanas são machistas em sua quase totalidade, algumas mais que outras, mas a imensa maioria é machista em algum grau.

A culpa é do homem ou da mulher?

Essa é uma pergunta que ouvi em muitas conversas sobre a sociedade machista, e na minha opinião a culpa é da sociedade inteira. O homem se beneficia do machismo mas não teria como o machismo sobreviver sem ter qualquer colaboração da mulher. Mas se o machismo beneficia o homem, como a mulher pode ser conveniente com ele? A resposta dessa pergunta está ligada a resposta desta outra:

Existe mulher machista?

Sim, infelizmente existe, e existe porque o machismo é relativamente cômodo para a mulher que sabe usá-lo.

É evidente que numa sociedade machista, o maior beneficiado é sem dúvidas o homem machista e a maior prejudicada é a mulher não machista, mas paradoxalmente o homem não machista sofre mais do que a mulher machista. Isso porque o machismo não é somente normas de condutas que dão poder indevido ao homem(também o é), mas também é uma "atribuição de papéis" as pessoas de acordo com seu sexo, vide frases infames como "cerveja é coisa de homem, refrigerante é pra mulher".

Toda sociedade machista é preconceituosa, porque determina ações as pessoas pelo sexo delas. Não é a toa que pessoas machistas são quase sempre(pra não dizer sempre, sem o quase) homofóbicas, isso porque a homossexualidade quebra a tal "definição sexual de papéis". Mas não precisa ser homossexual pra ser discriminado na sociedade machista, basta fugir do "coro dos contentes" de uma sociedade que de feliz nada tem. O simples fato de eu escrever estas linhas fará pessoas(homens e mulheres) pensarem(sic)..."Esse cara deve ser viado"...Embora eu seja heterossexual, eu estou questionando o dogma machista que determina "culturalmente" os sexos, e toda e qualquer diferença é pouco tolerada na sociedade machista, e na falta da reflexão sobre a diferença, mais fácil é usar de clichês estúpidos justamente por ser mais fácil sua "compreensão".

A preguiça, principalmente a preguiça de pensar, é algo grave e uma das causas da perpetração do machismo. Mas pra que pensar, pra que mudar algo se eu estou bem assim? É o que as pessoas perguntam sem sequer questionar se são felizes de fato.

Por isso que eu digo que o machismo não está ligado somente a uma questão cultural, mas também ao "comodismo social". Determinar papéis aos sexos torna a vida mais fácil no modo de ver de muitos. Se eu sou mulher, basta fazer isso, isso e aquilo, sem me preocupar com aquilo, aquilo e isso que é "coisa de homem", o mesmo vale pro homem.

No caso do homem é ainda mais conveniente, o patriarcado lhe confere um poder(indevido e inútil) que aparentemente lhe da valor como pessoa. Uma frase comum quando um homem está sendo assaltado por um ladrão armado é "não me mate, sou pai de família, tenho mulher e filhos". Ué, quer dizer que se um outro for assaltado e não for "pai de família"(sic) então ai pode morrer? Ridículo. E também é conveniente pra mulher, afinal "não mate o homem que me sustenta e a meus filhos, mate o homem que não sustenta ninguém". Claro que ninguém diz isso, mas a mensagem subliminar é clara. Alias, cumprir sua função de "dona de casa", embora seja reduzir sua vida à mediocridade fornece a mulher machista a cobrar a "função" de provedor do homem, e o mesmo vale ao inverso. Ao homem basta trazer dinheiro pra casa que ele fica desobrigado até de lavar suas próprias meias e cuecas, a mulher que faça suas "obrigações".

Eu disse no início que o machismo não sobreviveria se nenhuma mulher fosse conivente com ele. É fato que a principal fase do desenvolvimento cognitivo humano é na infancia, e em Psicologia, o primeiro contato humano é chamado de "maternagem", mesmo que tal contato nào seja com a mãe biológica. Isso porque a maior referência da imensa maioria das crianças em desenvolvimento é sua mãe. Oras, se é a mãe que terá a maior parte do contato com a criança no período mais significativo de seu desenvolvimento, seria extremamente benéfico não criar seu filho ou filha com nenhum valor machista.

Em hipótese alguma este artigo tenta culpar a mulher pelo machismo, isso seria uma leviandade absurda. Mas sim, eu cobro a responsabilidade de toda a sociedade pelo machismo, homens e mulheres.

Qual seria a solução?

Embora felizmente tenha diminuido a questão do "determinismo" dos sexos(inclusive a cor da roupa), e hoje mais homens se interessem por mulheres de personalidade que outrora, isso ainda é muito pouco.

Cabe a quem cria(a mãe e o pai), desde cedo criar um humano mais cidadão e menos preconceituoso, não incutir valores(sic) machistas as crianças, é nesta fase que isto é mais fácil e funcional. Filhos de pais não machistas dificilmente serão machistas, ao passo que filhos de pais machistas quase sempre seguem o machismo.

Portanto, enquanto a criação for tolerante com o machismo, dificilmente a sociedade evoluirá pra uma sociedade verdadeiramente igualitária, justa, sem preconceitos e, principalmente, feliz. O próprio homem será beneficiado com uma sociedade assim embora a imensa maioria teime, por puro preconceito e estupidez, em não enxergar isto.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

Soldados americanos teriam matado civis afegãos por esporte.

É incrível a capacidade da minha espécie de me surpreender de forma negativa. Quando eu acho que vi de tudo, que não resta mais nada com o que me surpreender, sempre aparece algo que me choca novamente.

Essa de soldados americanos matarem civis afegãos por esporte é uma delas. Mesmo nos tenebrosos regimes nazista e comunista, via de regra os soldados matavam civis por motivos étnicos ou políticos, o que é uma infâmia. E não é que justamente o "herói da humanidade", o regime que a todos liberta, tem seus soldados fazendo tal descalabro.

Pelos relatos noticiados, um soldado americano teria forjado um ataque pra dar o pretexto de se matar o primeiro civil afegão por esporte, a partir dai virou hábito, e os soldados desmembravam suas vítimas e exibiam suas cabeças como troféus.

Outro detalhe é que o caso teria sido denunciado por um soldado americano que, não podendo ele mesmo fazer a denúncia(e é louco ele?), mandou uma carta a seu pai pedindo pra ele fazer isso. O pai do rapaz teria alertado o exército americano várias vezes sem êxito(alguma surpresa?). E curiosamente o próprio soldado que fez a denúncia ao pai também é acusado de matar um civil afegão também por esporte, mas aqui eu não vou emitir julgamento enquanto não saber ao certo essa estória.

Mas por que afinal não fazer o julgamento? Por que não mandar tudo ao inferno e por logo todos no mesmo saco?

Tenho vontade de escrever vários palavrões, aliás tenho vontade de ficar eu mesmo violento quando vejo uma coisa dessas. Embora minha esperança na humanidade pareça ter dado seu ultimo suspiro, algo ainda me diz que me tornar eu mesmo um monstro não é a coisa certa a ser feita. Mas é puramente intuitivo, não vejo motivos racionais pra ter um comportamento civilizado neste momento em que escrevo estas linhas.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ajudar ou não ajudar, eis a questão

Direto ao ponto:

Sábado ultimo eu voltava da casa de amigos pela avenida Aricanduva aqui em SP quando, por volta de 2 e meia da madrugada, me deparo com a seguinte cena: Uma mulher pulando a mureta de proteção que dava pro rio Aricanduva.
Pensei: "Ela vai se matar". Imediatamente manobrei o carro e parei onde deu. Pra quem não conhece o local, somente moradores ou quem assiste muito ao Datena sabem deste pedaço, barra pesada mesmo. Mas não pensei em nada a não ser em tentar evitar um possível suicídio.

Pois bem, chego na beira da mureta e fico procurando a tal mulher, olhando pro rio pra ver se ela havia pulado ali. Estava disposto a tudo pra tentar salva-la, inclusive entrar no rio posto que nado muito bem(claro que depois teria que tomar um banho de cândida). Não conseguia ver onde a mulher estava, finalmente eu a vi, se escondendo numa parte da canalização do rio. Se escondendo? Sim, na verdade ela estava se escondendo, não sei de quem ou do que.

Foi então que caiu a ficha: "Cara, seu louco, sai daqui AGORA" foi o que eu pensei de imediato. Afinal, as variáveis ali, naquele horário, eram muitas e nenhuma era pouco sinistra(ela podia estar se escondendo da polícia, de traficantes, ela mesma ser criminosa, enfim...). Se por um lado eu estava razoavelmente preparado pra um possível salvamento, por outro não tinha a menor condição de enfrentar uma possível situação criminosa, e é bom lembrar que aqui muita gente morreu se arriscando menos do que eu estava me arriscando naquele momento.

Saída pela direita... e la vou eu de volta pro carro. Antes de chegar eu vejo um homem de aparência um tanto sinistra(apesar que qualquer coisa é sinistra ali naquele horário). Ele parecia estar procurando alguém, não posso dizer se aquele homem tinha alguma coisa a ver com a mulher escondida atrás da mureta do rio. Ainda pensei em ficar ali, talvez a mulher precisasse de ajuda, mas estava desarmado e num ambiente totalmente hostil.

Não havia nada a fazer, a não ser arriscar de uma vez por todas a única vida que tenho ou "dar linha" do pedaço. Ainda podia ter ligado pra polícia, mas minha experiência anterior me mostrou que isto é totalmente inútil nesta cidade, ainda mais numa situação como a que descrevi.

Voltei pra casa duplamente desolado, uma por ter sido tão imprudente com relação a minha própria vida e outra pela inevitável sensação de impotência. Paciência, não sou o superman e nem tenho um monte de vidas que nem no videogame. Contando minha experiência a amigos no dia seguinte, ouvi de tudo, desde gente dizendo que eu tinha que ser internado pelo simples fato de ter parado o carro ali até mesmo de gente dizendo que eu devia ter ido mais longe no episódio.

Concordo com ambos, de fato eu fui insano de me arriscar ali, sendo que tal percepção eu tive em poucos minutos. Mas realmente não me sai da cabeça o que pode ter acontecido a aquela mulher, e provavelmente eu jamais saberei.

Ai que entra o meu "grilo" da semana. Será que vale a pena se arriscar tanto(ali é perigosíssimo a noite) por alguém que nunca vi na minha vida? Mas afinal, de que vale a pena viver se omitindo sempre, tendo medo sempre?

Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que farei em caso de me defrontar com este tipo de situação futuramente. Que horror é estar numa situação onde não se pode ajudar ninguém sem arriscar a própria vida de forma tão eminente.

O que fazer em casos como este? O que você, caro(a) leitor(ora), faria?

domingo, 29 de agosto de 2010

6 perguntas a um casal sobre o amigo Raymundo

Um casal tem um amigo chamado Raymundo. Eles praticam eco turismo e resolvem fazer uma nova aventura pela floresta, onde também vão acostumar os filhos pequenos do casal com a vida na selva. Irresponsáveis? Talvez, mas o texto não irá se aprofundar nisso. O fato é que acontece um acidente com algumas possíveis variações, e as perguntas do texto de hoje são sobre essas variações.

Pergunta 1: Ao homem
Você e Raymundo estão vasculhando a mata enquanto os outros ficam acampados, até que em certa altura Raymundo é picado por uma cobra, bem na ponta do penis. Você lembra que em caso de picada de cobra, deve-se chupar no local da picada pra tirar o veneno.
Pergunta: Você deve salvar a vida de seu amigo?

Pergunta 2: Ao homem
Sua esposa e Raymundo estão vasculhando a mata enquanto os outros ficam acampados, até que em certa altura Raymundo é picado por uma cobra, bem na ponta do penis. Você lembra que em caso de picada de cobra, deve-se chupar no local da picada pra tirar o veneno.
Pergunta: Sua esposa deve salvar a vida de seu amigo?

Pergunta 3: A mulher
Você e Raymundo estão vasculhando a mata enquanto os outros ficam acampados, até que em certa altura Raymundo é picado por uma cobra, bem na ponta do penis. Você lembra que em caso de picada de cobra, deve-se chupar no local da picada pra tirar o veneno.
Pergunta: Você deve salvar a vida de seu amigo?

Pergunta 4: A mulher
Seu marido e Raymundo estão vasculhando a mata enquanto os outros ficam acampados, até que em certa altura Raymundo é picado por uma cobra, bem na ponta do penis. Você lembra que em caso de picada de cobra, deve-se chupar no local da picada pra tirar o veneno.
Pergunta: Seu marido deve salvar a vida de seu amigo?

Pergunta 5: Ao casal
Vocês estão vasculhando a mata enquanto seus filhos(menino de 8 anos e menina de 9 anos) ficam acampados com seu amigo Raymundo, até que em certa altura Raymundo é picado por uma cobra, bem na ponta do penis. Você lembra que em caso de picada de cobra, deve-se chupar no local da picada pra tirar o veneno.
Pergunta: Seus filhos devem salvar a vida de seu amigo?

Pergunta 6: Ao casal



Por que Raymundo deve morrer, ja que ele é tão amigo de vocês e nunca fez nenhum mal a ninguém?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A ética, os fins e os meios

Quando me perguntam se os fins justificam os meios, a minha resposta é: "Depende, depende do fim, depende do meio".

Não sou fundamentalista, nem fundamentalista da ética e nem fundamentalista de resultados, me permito certa flexibilidade pois a subjetividade humana, bem como as circunstâncias entorno dos fatos, muitas vezes não permite uma única resposta-clichê-padrão que sirva para todos os modelos e situações.

Como exemplos, o princípio ético de não comer carne humana vira pó quando o avião cai nos Andes, afinal se a vida é o bem mais importante para os seres vivos, seria estupidez perde-la meramente pra manter integro um principio ético cultural. Igualmente digo que o ultra pragmatismo acaba por transformar meios em fins, se dinheiro serve pra comprar o que alguém quer ou precisa, ele(dinheiro) obviamente é um meio pra se chegar a um fim, porém a busca incessante pelo lucro, por mais dinheiro sempre, faz com que o fim seja o próprio dinheiro, e o que se pode ter com ele torna-se irrelevante.

Ainda sobre ética, me chamou a atenção o que Carlos Heitor Cony disse dela certa vez: "Ética é aquilo que queremos que os outros façam".

Deixo claro que este não é um artigo contra a ética, que eu prezo muito, mas sim contra o fundamentalismo(qualquer que seja) e até mesmo a hipocrisia, que é exigir de outros o que não faz.

Com a introdução feita acima, comento o assunto que está em moda nesta semana, que foi o episódio do último grande prêmio de Fórmula 1, domingo passado na Alemanha, onde o piloto Felipe Massa, da Ferrari, recebe uma ordem velada e deixa seu companheiro de equipe, Fernando Alonzo, que estava mais bem colocado que ele no campeonato, ultrapassa-lo perto do fim da corrida.

O fato feriu a ética esportiva? Sim, sem dúvidas, mas pra comentar se o tal episódio é assim tão inadmissível, vamos comparar 3 fatos distintos na categoria:

2002- Austria: O piloto Rubens Barrichello, da Ferrari, lidera a corrida e recebe uma ordem de sua equipe pra deixar seu companheiro Michael Schumacher passar. Era o início do campeonato, e Schumacher seria o campeão disparado ao final.

2007- Brasil: Felipe Massa, da Ferrari lidera a prova, que é a última do campeonato, tendo seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, em segundo. Pela pontuação da corrida, os pilotos Fernando Alonzo e Lewis Hamilton, ambos da equipe McLaren, estavam indo a 109 pontos, e Raikkonen indo a 108 com a segunda colocação, podendo chegar a 110 se fosse o primeiro. Os 2 pilotos entram nos boxes em voltas diferentes pra abastecer e Raikkonen volta na frente de Massa, coisa absolutamente previsível, e ganha seu primeiro título mundial da categoria.

2010- Alemanha: Massa lidera a corrida e abre pra seu companheiro, Alonzo, após receber uma ordem velada de sua equipe. Embora o campeonato tenha passado pouco da metade e Alonzo tenha mais pontos que Massa, a distância pro líder do campeonato, Hamilton, é grande, e além disso as outras equipes(McLaren e Red Bull) estão com seus carros em melhores condições, de forma que posso apostar que a Ferrari não fará o campeão este ano.

Analisando os 3 episódios, devo acrescentar que somente no GP do Brasil em 2007, os pilotos fariam parada de reabastecimento, nos outros 2 casos os pilotos seguiriam sem paradas até o fim. Se a corrida em 2007 também não tivesse paradas, seguramente Massa abriria para Raikkonen passa-lo. E agora começa a polêmica, afinal, fazer o chamado "jogo de equipe" seria anti-ético em qualquer situação, no começo, no meio ou na última corrida do campeonato e, portanto, seria condenável em qualquer momento.

Que seja anti-ético eu concordo, mas condenável em todos os casos? Não penso assim. Explico:

Como disse, eu respeito a ética e faço questão de cobra-la, mas tal como disse no começo desse artigo, há casos onde valores dentro do contexto em que estão, podem sim justificar uma suposta ausência de ética, dai eu afirmar que não sou fundamentalista da ética. O que eu exijo é respeito a ética, dar a ela o imenso valor que ela tem.

Nos casos de 2002 e 2010, a ética foi jogada na latrina por "dinheiro de pinga", em 02 Schumacher venceu com o "pé nas costas" e em 10 a Ferrari não será campeã mesmo com o que fez. No primeiro caso era desnecessário e no segundo é inútil, mesmo assim mandaram a ética as favas.

Em 07, tenho outra opinião, ali eu não condenaria o jogo de equipe descarado caso fosse necessário, afinal era a ultima corrida do campeonato e de fato era necessária e funcional, certeza de derrota sem fazê-lo e certeza de titulo ao fazê-lo.

É preciso entender o que é o automobilismo, principalmente a Fórmula 1. Muitos de seus admiradores, como eu, sequer consideram um esporte própriamente dito, e sim uma competição onde o que importa é ganhar, só não queremos é sangue e nem violações de princípios GRATUITAS, jogando na lata do lixo a ética sem dar a ela nenhuma importância.

Por isso que eu condeno os episódios de 02 e 10 mas aceito o de 07, neste ultimo há a troca de um princípio por um fim, o meio usado seria muito forte mas o fim a ser atingido é o maior de todos no contexto em que se situa, tal qual é o sujeito que come carne humana nos Andes, que é o meio necessário pra se manter o maior de todos os fins, que é continuar vivo.

Claro que alguém pode dizer:

"Roberto, se você abre brecha pra quebra de um princípio em função de uma necessidade que o justifique, basta haver tal necessidade que então podemos permitir que uma mãe torture seu filho até a morte, por exemplo"

A qual eu responderia:

"Com certeza, e deixo contigo a tarefa fácil, que é encontrar um fim que justifique o fato de uma mãe poder torturar seu filho até a morte".

Ou seja, seguindo uma razoável "tabela de preços", que nada tem a ver com dinheiro necessariamente, eu estou plenamente tranquilo tanto quanto ao respeito a ética como pra responder sempre a pergunta se os fins justificam os meios. Depende, sempre depende, em relação aos princípios, ser inflexível pode ser tão desastroso como não ter nenhuma solidez.

E um último comentário sobre hipocrisia: Em 2002 e 2010 foram pilotos brasileiros que permitiram o jogo de equipe. Muitos brasileiros "pachecos" que deploraram e deploram os episódios certamente aplaudiriam se o beneficiado fosse um brasileiro.

Como disse, em termos de princípios, deve-se ter tanto flexibilidade como solidez. Pena que tão poucos tenham os dois itens.